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Carreira Inquieta

Não Era Preguiça, Era o Meu Cérebro: Por Que Eu Odiava Literatura Mas Gabaritei Matemática no Mestrado

01/12/2025 às 09:52 // Diagnóstico Tardio, TDAH e Carreira.

Se você olhasse para o meu boletim escolar na infância e adolescência, veria um padrão claro, quase uma montanha-russa de desempenho.

Havia um grupo de disciplinas que eram um verdadeiro tormento para mim. Tudo o que envolvia o lúdico, o artístico ou a subjetividade me causava uma espécie de alergia mental. As aulas de Artes, com sua falta de estrutura clara, eram exaustivas. Português e Literatura, com suas longas leituras obrigatórias e a necessidade de interpretar o que o autor quis dizer, pareciam um labirinto sem fim onde eu sempre me perdia. Biologia, com sua necessidade de memorização visual de células e sistemas, também não entrava na minha cabeça.

Para os professores dessas áreas, eu era provavelmente o aluno desinteressado, o que não se esforçava.

Mas havia o outro lado da moeda. O lado exato.

Quando o assunto era Matemática e Física, meu cérebro acendia. Eu amava a lógica clara, as regras definidas, o fato de que só existia uma resposta certa e um caminho lógico para chegar até ela. Aquilo fazia sentido para a minha mente inquieta. Resolver uma equação era como montar um quebra-cabeça onde todas as peças se encaixavam perfeitamente.

Essa dicotomia me acompanhou até a vida adulta e ficou evidente em um momento decisivo da minha carreira: o ingresso no Mestrado.

A prova de seleção exigia um alto nível de Matemática e Raciocínio Lógico. Eu sabia que a base era fundamental, então tomei uma decisão inusitada: procurei minha antiga professora de matemática do ensino médio (segundo grau) para fazer uma revisão intensiva.

Voltar àquela base, com a maturidade que eu tinha, foi revelador. O conteúdo fluiu de uma maneira impressionante.

O resultado? No dia da prova de seleção para o Mestrado, eu não apenas fui bem. Eu gabaritei as provas de Matemática e Raciocínio Lógico. Acertei todas as questões.

Hoje, com o diagnóstico de TDAH, entendo o que aconteceu. Meu cérebro não era incapaz de aprender. Ele apenas precisava de estímulo e estrutura. A matemática fornecia a dopamina da resolução de problemas imediatos, enquanto as matérias subjetivas exigiam uma função executiva e uma atenção sustentada que eu não tinha para oferecer na época.

Escrevo isso para os estudantes que se sentem burros em certas matérias e para os pais que não entendem essa discrepância nas notas. O desempenho escolar muitas vezes não mede inteligência, mede o quanto o formato daquela disciplina se alinha com a neurobiologia do aluno. Quando o encaixe acontece, o potencial é ilimitado.

Aviso Legal


Este relato é baseado na minha experiência pessoal como Pós-Doutor em Finanças diagnosticado tardiamente com TDAH. Não sou profissional de saúde ou educação. Se você ou seu filho enfrentam dificuldades de aprendizado, procure orientação de psicopedagogos, psicólogos e médicos para avaliação adequada.

 

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