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Carreira Inquieta

A Prova que me Venceu: Quando um Surto de Ansiedade foi o Primeiro Sinal do TDAH

12/11/2025 às 13:28 // Diagnóstico Tardio, Vida com TDAH.

No nosso primeiro post, compartilhei a motivação por trás do "Carreira Inquieta": a minha jornada como um Pós-Doutor que recebeu o diagnóstico de TDAH somente aos 44 anos. Hoje, quero dar um passo atrás e contar o evento específico que me forçou a procurar ajuda. O momento em que a minha carreira brilhante colidiu com uma mente inquieta que eu já não podia controlar.

O gatilho foi uma prova de certificação. Eu buscava ser certificado como conselheiro pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).

Para qualquer profissional, uma prova de certificação gera nervosismo. Mas para mim, era um cenário em que eu deveria estar confortável. Afinal, sou Doutor. Com mais de 15 anos de experiência como professor universitário, eu não só sabia a matéria como também a ensinava. Havia estudado o material de apoio (o polígrafo) e estava confiante no meu preparo.

A prova era online. Comecei, e em poucos minutos, algo quebrou.

Uma onda de ansiedade avassaladora tomou conta de mim. Não era um nervosismo comum, era uma sensação física de urgência. Eu só queria uma coisa: sair daquela sala e me livrar da prova. Era uma necessidade de fuga, irracional e incontrolável.

Tentei me concentrar. Foi aí que percebi o segundo problema: as perguntas eram muito longas, e eu não conseguia concluir a leitura de nenhuma delas. Meus olhos passavam pelo texto, mas meu cérebro se recusava a processar a informação. Eu lia o começo, me perdia no meio e pulava para o final. A frustração crescia a cada minuto.

Em certo momento, a exaustão mental foi tamanha que desisti de tentar. Comecei a chutar as respostas, clicando em qualquer alternativa apenas para o tormento acabar. Terminei a prova, aguardei mais alguns minutos em silêncio, atordoado, e saí.

Eu estava confuso. Como eu, um professor experiente, um Doutor, alguém acostumado com a pressão acadêmica, pude falhar de maneira tão miserável não por falta de conhecimento, mas por falta de controle?

A resposta parecia óbvia na ocasião: eu estava tendo uma crise de ansiedade.

Com essa certeza, marquei uma consulta com um psiquiatra da minha confiança. Fui à consulta com a queixa clara: "Doutor, acho que estou com ansiedade e preciso de ajuda para gerenciar isso".

Mal sabia eu que aquela consulta não seria apenas sobre ansiedade. Ela foi o ponto de partida para um protocolo de investigação que, por fim, colocaria um nome naquilo que me acompanhou por toda a vida. Mas essa parte da história, o início do tratamento e o diagnóstico, ficará para o nosso próximo encontro.

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Aviso Legal (Reforço):

Como sempre, reforço que este é um relato pessoal. Sou Pós-Doutor em Finanças, não sou médico ou psicólogo. A minha experiência com ansiedade e TDAH é única, e a sua também será. Se você se identificar com qualquer parte desta história, por favor, não hesite em procurar ajuda profissional de um especialista da sua confiança.

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