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Crescendo nos Anos 80: Sem Diagnóstico, Mas Com o Suporte Certo para Vencer

18/11/2025 às 15:17 // Diagnóstico Tardio, Vida com TDAH.

O Contexto da Época

Hoje é comum ouvirmos falar de crianças diagnosticadas e tratadas para o TDAH. Isso pode levar alguém da minha geração a se perguntar: Por que ninguém viu isso em mim quando eu era pequeno?


A resposta, na grande maioria das vezes, está no contexto histórico.


Eu sou uma criança dos anos 80. Tenho hoje mais de 45 anos. E se olharmos para a história da medicina, veremos que foi somente em 1980 que a Associação Americana de Psiquiatria publicou o DSM-III, introduzindo o termo Distúrbio do Déficit de Atenção.


Antes disso — e por muito tempo depois disso no Brasil — o transtorno era algo obscuro, mal compreendido e raramente discutido fora dos consultórios mais especializados.
Nas salas de aula da época, o TDAH simplesmente não existia como diagnóstico. O que existiam eram rótulos e percepções comportamentais.


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A Criança Distraída e Ligada no 220v


Eu não era um paciente com déficit de dopamina.


Eu era:


•    o aluno que vivia no mundo da lua,
•    o ligado no 220v,
•    o que tinha energia demais,
•    o que mudava de foco rapidamente.


Essa era a interpretação possível naquele tempo.


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O Papel da Minha Família


Minha infância foi marcada por essa realidade, mas com um diferencial determinante: a forma como minha família lidou com isso.


Sem diagnóstico.
Sem medicação.
Sem manual.


Mas com estrutura, disciplina, incentivo e presença.


Tive que desenvolver meus próprios mecanismos de sobrevivência:
compensar a falta de atenção com rapidez de raciocínio, canalizar energia para os estudos que realmente me interessavam, criar métodos intuitivos para continuar avançando.


Um ponto crucial: eu nunca tive problemas com autoestima.

E isso, olhando para trás, foi obra da minha família.


Eles não sabiam que o nome era TDAH, mas souberam me conduzir.


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Quando a Base Certa Faz Toda a Diferença


Recebi o suporte emocional e estrutural necessário para não parar pelo caminho.
Isso foi essencial para que eu transformasse minha mente inquieta em combustível para estudar, crescer e chegar aonde cheguei: ao Pós-Doutorado.

Escrevo isso para registrar e lembrar:

O sucesso é possível mesmo quando o diagnóstico não chega na infância.

Uma criança com TDAH — diagnosticada ou não — pode se tornar um adulto de alta performance, seguro e realizado, desde que tenha o suporte certo em casa.


Eu sou prova disso.


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Aviso Legal


Ressalto, como sempre, que este texto reflete minha experiência pessoal e meu entendimento histórico como leigo e paciente. Não sou médico, psicólogo ou historiador da medicina. Se você tem dúvidas sobre o comportamento do seu filho ou sobre sua própria infância, procure a orientação de especialistas qualificados, como médicos e psicólogos.

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