Blog pessoal sobre TDAH diagnosticado na vida adulta. Relatos reais de um Pós-Doutor com TDAH sobre carreira, neurodivergência, ciência e os desafios do dia a dia.


27/11/2025 às 15:37 // Diagnóstico Tardio, TDAH e Carreira.
Se existisse uma geografia social dentro da sala de aula, as fronteiras eram muito bem definidas. Na frente, ficavam os alunos compenetrados, os que copiavam tudo e tinham a atenção do professor. Atrás, nas últimas fileiras, ficava o território conhecido como fundão.
Aquele era o meu lugar.
Durante todo o ensino fundamental e médio, eu fui um residente fixo das últimas carteiras. Para um observador externo, sentar lá atrás era um sinal claro de desinteresse ou de rebeldia. E, sendo honesto, muitas vezes era lá que a bagunça acontecia.
Mas para uma mente com TDAH não diagnosticado, o fundo da sala oferecia algo mais. Era um refúgio. Ali, longe do olhar direto e constante do professor, eu me sentia menos vigiado. Eu podia me mexer, rabiscar o caderno ou deixar a mente vagar sem ser imediatamente repreendido.
O problema de sentar no fundão é o rótulo que vem junto com ele. Existe uma crença silenciosa de que quem senta atrás não tem futuro, não quer nada com a vida e não vai passar no vestibular.
Eu cresci ouvindo e sentindo esse julgamento. Professores muitas vezes olhavam para o fundo da sala já esperando o pior. Era como se a distância física da lousa fosse proporcional à distância do sucesso.
No entanto, a minha trajetória prova que essa correlação é falsa.
O mesmo menino que passou a vida escolar escondido nas últimas fileiras, fazendo piada e desenhando no caderno, é o homem que hoje escreve este texto como Doutor e Pós-Doutor em Finanças.
O lugar que eu escolhia sentar na sala de aula refletia a minha inquietação e a minha necessidade de socializar, características típicas do meu TDAH, mas nunca refletiu a minha capacidade intelectual ou o meu potencial.
Escrevo isso para os pais que se preocupam ao saber que seus filhos sentam na turma do fundo e para os jovens que estão lá agora. O fundão pode ser apenas uma forma de lidar com um ambiente escolar que muitas vezes é rígido demais para nós.
Não deixe que a posição da sua carteira defina a altura dos seus sonhos. Eu saí da última fileira para a carreira acadêmica de alto nível. O caminho está aberto.
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Aviso Legal
Este relato é baseado na minha experiência de vida pessoal. Eu sou um Pós-Doutor em Finanças e não possuo formação na área da saúde. Este texto não substitui, em hipótese alguma, a avaliação médica. Se você identifica padrões semelhantes em você ou em seu filho, a recomendação é procurar ajuda de profissionais qualificados, como médicos e psicólogos, para o diagnóstico e tratamento adequados.

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